quarta-feira, 27 de abril de 2011

Finalmente, enfim.

Quem sabe um dia você vá entender. Quem sabe nesse dia já seja tarde demais. Já despertei do meu sono sozinha - sem príncipe, sem cavalo, sem resgate, sem beijos de amor. Essa função, portanto, não cabe mais a você - nem a ninguém, o que te faz, então, igual a todos os outros. Uma possibilidade latente, ou não. Especificamente, uma possibilidade tímida, calada, displicente, distraída... ora, se há de latir ou não, quase que tanto faz. Eu, pessoalmente, não sei ladrar. Não lato e não me anuncio porque não faço questão. Posso não saber de cor o que vou encontrar pelo caminho mas tenho certeza que por saber andar vou ser capaz de percorrê-lo. As quedas hão de vir. Que venham, então. Sei dos meus objetivos. Sei de mim. Não sou sorrateira, sutil ou discreta. Nunca soube disfarçar. Sou uma péssima dissimuladora porque me perco no meio da mentira e nunca consigo sustentar um pilar do qual discordo. Preciso querer pra fazer. Já te quis demais, te amei demais, te desejei demais, sonhei demais, idealizei demais, esperei demais... mas quem espera, meu bem, nunca alcança. Antes de voar tem que aprender a enxergar, passarinho, essa tua ânsia por um vôo cego só te enfia de volta pro ovo... mas não te acuso de nada. Não posso. Falar dos teus defeitos pro mundo me constrange. Tua imbecilidade parece demais com a minha. Arrogante... não vou te abandonar no sentido exato da palavra, uma vez que, para isso, eu precisaria me desviar do plano inicial - e não pretendo. Não vou, mais uma vez, abrir mão do que eu quis pra mim mesma porque alguém frustrou uma expectativa que pulsava em alguma etapa. Não preciso disso. Nem quero. Portanto, vou continuar por aqui, eu mesma, e se você achar por bem me procurar que venha - não te prometo nada. Nem vou fechar nem abrir porta nenhuma. Não vou viver nem morrer por você. Você é um no mundo. Eu sou outra. E só.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

(TPM)

te odeio!
queria voltar no tempo pro tempo que eu ainda não te conhecia
engraçado que estava tudo meio diferente naquele dia, meio distante de mim
era um dia incomum, eu devo ter comentado: "que atmosfera pesada"...
era você chegando, o ar ficando rarefeito, o oxigênio se solidificando e minha respiração começando a falhar
eu não queria me controlar e não me controlei: pra não abrir minhas portas eu as destruí, e, completamente acessível, descansei na tua praia
tanta calma, virginiano, me ensina tua lâmina?
eu queria me machucar e o fiz... bem escolhido e mal vivido, eu quis você!
foi um dia de nãos, estava nublado e até choveu
você foi meu único sim
luz
você resplandesceu naquela noite escura
me olhou de cima pra baixo e eu quase desmaiei
te odeio!
cada não que eu te digo é um pedaço de mim que eu arranco
não entendo, não sei porquê...
sai da minha vida!
desaparece...
houve um tempo em que eu não te odiava porque nem te conhecia
é impossível pra mim, agora, ser indiferente
(imagino teu ar de riso de quem mal consegue acreditar no que eu digo, no que eu sinto... acho que se eu te dissesse tudo isso ia ter que ouvir o discurso de consolação de quem delicada e firmemente explicita que eu nunca vali nada na sua vida, nem valeria, porque minha função não é essa e não se dá pérolas aos porcos)
nunca vou te desprezar
sempre que eu calar estou mentindo
minha concessão seria aos gritos!
quando eu evitar estou fugindo
quando eu virar o rosto vou sentir mil facas arranharem meu peito por dentro
cada soluço do meu choro sou eu tentando disfarçar o som do seu nome que ecoa no meu pensamento
te odeio!
durmo e acordo pensando em você
te amo, te amo, te amo...

(suspiro)

não sou ridícula por ter me apaixonado por você. isso não me faz melhor nem pior que ninguém no mundo. antes o fizesse. o que me mata é a certeza de que eu sou só mais uma. eu te conheço... sei a cor do teu desdém, do teu descaso, teu desprezo, teu cinismo... conheço tua dureza, tuas máscaras, tuas defesas... se eu não te conhecesse não te amaria, se não te amasse não te aceitaria, se não te aceitasse não quereria te ter comigo, se não quisesse te ter comigo não sentiria tanta saudade do tempo que eu não te conhecia! de nós dois eu que faço sentido, você só faz sentir... te odeio! não te perdôo! vai embora de mim!