Quem sabe um dia você vá entender. Quem sabe nesse dia já seja tarde demais. Já despertei do meu sono sozinha - sem príncipe, sem cavalo, sem resgate, sem beijos de amor. Essa função, portanto, não cabe mais a você - nem a ninguém, o que te faz, então, igual a todos os outros. Uma possibilidade latente, ou não. Especificamente, uma possibilidade tímida, calada, displicente, distraída... ora, se há de latir ou não, quase que tanto faz. Eu, pessoalmente, não sei ladrar. Não lato e não me anuncio porque não faço questão. Posso não saber de cor o que vou encontrar pelo caminho mas tenho certeza que por saber andar vou ser capaz de percorrê-lo. As quedas hão de vir. Que venham, então. Sei dos meus objetivos. Sei de mim. Não sou sorrateira, sutil ou discreta. Nunca soube disfarçar. Sou uma péssima dissimuladora porque me perco no meio da mentira e nunca consigo sustentar um pilar do qual discordo. Preciso querer pra fazer. Já te quis demais, te amei demais, te desejei demais, sonhei demais, idealizei demais, esperei demais... mas quem espera, meu bem, nunca alcança. Antes de voar tem que aprender a enxergar, passarinho, essa tua ânsia por um vôo cego só te enfia de volta pro ovo... mas não te acuso de nada. Não posso. Falar dos teus defeitos pro mundo me constrange. Tua imbecilidade parece demais com a minha. Arrogante... não vou te abandonar no sentido exato da palavra, uma vez que, para isso, eu precisaria me desviar do plano inicial - e não pretendo. Não vou, mais uma vez, abrir mão do que eu quis pra mim mesma porque alguém frustrou uma expectativa que pulsava em alguma etapa. Não preciso disso. Nem quero. Portanto, vou continuar por aqui, eu mesma, e se você achar por bem me procurar que venha - não te prometo nada. Nem vou fechar nem abrir porta nenhuma. Não vou viver nem morrer por você. Você é um no mundo. Eu sou outra. E só.
Nenhum comentário:
Postar um comentário